terça-feira, 6 de maio de 2014

Lista Final de Scolari

 

Amanhã sai a lista dos 23 convocados para a Copa do Mundo e também os 7 suplentes que ficam de sobreaviso para serem inscritos no caso de algum corte antes do jogo de estréia.

Felipão não é dado a surpresas de última hora, assim como em 2002 que ele foi com o grupo que classificou nas Eliminatórias. Assim será desta vez também, penso eu. Porém algumas lacunas ficaram em aberto e podem ter nomes que não estiveram no grupo que ganhou e barbarizou a Copa das Confederações. Lucas pode ser o sacrificado da vez.

Vamos posição a posição saber quem estará na lista e as opções para as vagas em aberto:

  • Goleiros: Júlio César é o titular indiscutível. Jefferson seu reserva imediato também estará na lista. A disputa fica para quem será o terceiro goleiro, nesse caso Victor e Diego Cavalieri disputam essa vaga, porém um goleiro jovem não estaria descartado, aí a aposta estaria em Rafael Cabral, atualmente no Napoli ou Marcelo Grohe do Grêmio.

 

  • Laterais: Na direita Daniel Alves é o titular e Maicon seu reserva direto. Na esquerda Marcelo é nome certo no time da estréia. Resta apenas a vaga de reserva na esquerda onde três nomes disputam: Filipe Luís, que fez uma temporada ótima no Atletico de Madrid; Maxwell que esteve na Copa das Confederações e Adriano do Barcelona. Dos três minha aposta vai em Filipe Luís por ter mais o perfil de Marcelo sem mexer na estrutura física do time. Adriano é quem tem menos chances.

 

  • Zagueiros: Três nomes estão certos: Thiago Silva, David Luiz e Dante. A quarta vaga tem 4 postulantes. Marquinhos do PSG tem juventude e fez uma bela temporada, mas é baixo para zagueiro. Réver esteve no grupo da Copa das Confederações, Dedé voltou a jogar muito desde que foi para o Cruzeiro. O quarto nome seria a surpresa improvável mas seria o melhor dos 4: Miranda, que tá voando pelo bom Atletico de Madrid.

 

  • Volantes: A dupla titular é Luiz Gustavo e Paulinho, Ramires também é nome certo. A quarta vaga está entre Lucas Leiva e Fernandinho. Lucas seria a opção por um volante mais defensivo, Fernandinho um volante com muita saída de jogo e peça chave no virtual campeão inglês, o Manchester City.

 

  • Meias: Oscar, Hernanes e Bernard são nomes garantidos. A quarta vaga está entre William do Chelsea que sai na frente, Lucas que perdeu espaço por que sempre que entrou foi tímido demais. A surpresa poderia ser Phillipe Coutinho do Liverpool que é candidato a craque da temporada na Premier League, mas seria surpresa demais porque além de não ter sido convocado anteriormente, é muito novo e não foi testado sob pressão.

 

  • Atacantes: Neymar, Hulk e Fred são nomes certos. Jô seria o quarto nome, porém além de estar tendo um início de ano apagado, se lesionou e pode não chegar 100%. O problema está no fato que nenhum dos postulantes está em boa fase. Damião e Pato vêm em má fase há algum tempo, Robinho pode ser o quarto nome mas traria um problema em caso de lesão de Fred, porque o time ficaria sem um homem de referência na área, pois Robinho, Neymar e Hulk são homens de lado de campo. Já se especulou sobre o nome de Alan Kardec, mas se Phillipe Coutinho seria surpresa demais, Kardec seria uma hecatombe.

 

Isto posto, chegamos a 17 nomes garantidos e seis vagas em aberto. Se eu tiver que apostar numa lista de 23, baseando pelo trabalho até agora:

Julio César, Jefferson e Diego Cavalieri; Daniel Alves, Maicon, Marcelo e Filipe Luis; Thiago Silva, David Luiz, Dante e Dedé; Luiz Gustavo, Paulinho, Ramires e Fernandinho; Oscar, Hernanes, Bernard e William; Neymar, Hulk, Fred e Jô.

Os 7 da espera: Victor, Maxwell, Marquinhos, Réver, Lucas Leiva, Lucas e Robinho.

Amanhã a dúvida se dissipa. De amanhã não passa!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O Dilema do Aranha

 

Quando tive a idéia do post ainda não havia acontecido o acidente de Schumacher. Pensei sim na derrota do Anderson Silva novamente contra o americano Chris Weidman.

Muita baboseira tem sido dita nesse caminho como se o Spider fosse invencível nas muitas vitorias e um lixo nas derrotas. Nem tanto ao mar, nem tanto a terra.

Anderson está entre as lendas do esporte. Eu sou daqueles que prefere ver a história ser escrita pelos grandes a ter que torcer pelos piores apenas por piedade. Eu posso dizer que vi Michael Jordan, Roger Federer, Mike Tyson, Michael Schumacher, por exemplo. Todos gênios naquilo que se propuseram fazer, mas que sempre tinham uma “pedra no sapato”. Um adversário que lhes impunham dificuldades que não eram comuns.

Michael Jordan menos que os outros porque é o único da lista que praticava esporte coletivo. Mas Tyson não conseguia vencer Holyfield em hipótese nenhuma, mesmo sendo muito superior em quase tudo. Schumacher foi dominante por quase uma década na Fórmula 1 mas nos confrontos diretos em pista contra Mika Hakkinen perdia quase todos, destaque para a manobra em Monza onde Hakkinen engoliu Schumi e Ricardo Zonta na mesma manobra a duas voltas do fim.

Roger Federer detém quase todos os recordes no tênis, porém sempre teve dificuldades contra Rafael Nadal. Tudo isso se explica por um motivo: esporte nunca foi uma ciência exata, para que hajam vencedores é preciso que hajam perdedores. E estilos precisam encaixar. É o caso de Anderson contra Weidman. O estilo do americano anula o jogo de um trocador como o brasileiro. Um striker precisa da distância e Weidman, com sua base na luta olímpica, não concede essa distância. Tal e qual Cain Velazquez fez (e faz sempre) contra Cigano, Weidman prende o adversário na grade ou no solo. A cena que melhor ilustra isso é no momento do ataque feroz do americano em cima do brasileiro. Ele conseguia fazer postura mesmo dentro da guarda do Anderson, como se estivesse montado.

Na primeira luta houve uma grita geral pelo excesso de firulas do Spider que culminaram na derrota que abalou o mundo e construíram uma derrota vexatória. Mas as firulas foram apenas parte do processo. Anderson foi superado desde o começo da primeira luta. Perdeu claramente o primeiro assalto e teve um momento de brilhareco quando começou com as provocações faltando 30 segundos para o round acabar. Veio o intervalo e mais afrontas para cima do americano que permaneceu sério e derrubou o mito.

Veio a luta do último sábado e de novo renasceu o “amor” da torcida por Anderson, todo mundo dando como fava contada a vitória do brasileiro como se Weidman não tivesse mérito por ser o detentor do cinturão. Mas de novo o jogo do americano anulou Anderson. Independente da fratura, o Spider perdeu. Dignamente dessa vez, mas perdeu. No primeiro assalto o brasileiro foi amassado pelo campeão. Cheguei a achar que Herb Dean ia paralisar depois de um ground and pound avassalador de Weidman. Mas a luta seguiu e Anderson não conseguia mover uma peça sequer. enquanto ele buscava alternativas choveram cotoveladas de Weidman e todas com endereço certo. Aliás cabe aqui um registro: Nunca vi um Anderson como nessa luta. O semblante sério desde a pesagem sábado até a luta. Ele não tentou envolver Weidman em jogo psicológico como de costume, não. Era um Anderson sério, até demais! Veio o segundo round e aquela cena horrorosa da perna do brasileiro virando um L, culminando com urros de dor assombrosos.

Conversando com meu sobrinho ele me fez uma pergunta, se o que doía mais para o Anderson: a dor física da fratura ou a dor de um atleta que amava ser o dono do cinturão e viu, talvez, sua última chance de recuperar o cinturão escorrer por entre os dedos? Acho que ambas. Anderson não é mais um menino, aos 38 anos, vai precisar de um ano quase para retornar porque não basta apenas curar a perna, há que se readquirir massa muscular, recuperar o ritmo e teria de fazer pelo menos 2 lutas em bom nível antes de voltar a ter um title shot.

Agora é o momento em que o homem toma lugar acima do atleta. Só a cabeça do Anderson saberá o melhor para sua vida. Se voltar seria muito bem vindo,  do contrário o que ele fez já valeu demais.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

O Outro Lado da Copa

 

No meio dessa celeuma criada por Roy Hodgson, treinador da Inglaterra que disse que não gostaria de jogar em Manaus, o que foi prontamente respondido pelo prefeito Manauara, Arthur Virgilio Neto, dizendo que Manaus também não se interessa pela Inglaterra cabe aqui abordar o lado extra-campo do Mundial.

Por ser um evento internacional, a Copa não se restringe apenas as cidades-sedes. Outras cidades se beneficiarão com o turismo que o evento traz. Serão dezenas de milhares de turistas desembarcando no Brasil. Porém, há um outro lado nisso tudo: algumas seleções tem históricos de torcedores arruaceiros que as cidades preferem evitar. E nessa copa, os piores deles estão classificados para o Mundial. Ingleses, Holandeses, Alemães e Russos. E para piorar o quadro, a Fifa não permite Lei Seca. Ao contrário, tem patrocínios de cervejarias e as vende dentro dos estádio diferentemente do que reza o Estatuto do Torcedor.

Algumas seleções já definiram suas sedes. O México ficará hospedado em Santos, os suiços escolheram o Guarujá como sede, a Seleção volta a Granja Comary em Teresópolis e a Argentina em Vespasiano, na Cidade do Galo em MG. Essas escolhas podem mudar dependendo do que disser o sorteio de amanhã. Por exemplo, se ficar no Grupo G, a Suiça jogaria em Salvador, Fortaleza e Recife, o que tornaria a estadia no Guarujá impossível.

O Estado de São Paulo tem tudo para receber a maior parte das seleções que disputarão a Copa de 2014 por causa da boa infraestrutura e da quantidade de Centros de Treinamento de Seleções (os CTS) que foram incluídos no catálogo da Fifa. A maior disputa, no entanto, é para garantir a presença das equipes mais famosas, como Espanha, Alemanha e Holanda, que são consideradas favoritas no torneio e atraem muita atenção por onde passam. E, quando se fala nas grandes seleções, aí a disputa fica mais acirrada, mas concentrada nas regiões Sul e Sudeste.

Alguns setores da economia tendem a aproveitar melhor o fluxo de turistas. Restaurantes, Artesanato, Hospedarias estão entre as que mais lucrarão. Não deve haver impacto muito grande para serviços, como telecom por exemplo. Cidades com praias também devem ter a preferência dos turistas. O que pode implicar em um paradóxo: as seleções européias preferem evitar o Nordeste por conta do calor e da umidade. Os torcedores rezam para suas seleções se estabelecerem no nordeste por conta das belezas naturais.

Por conta de obras que ficaram apenas no papel e não vão sair, a população pode ser prejudicada. Na questão da mobilidade urbana e na área da saúde por exemplo, os impactos podem ser gritantes. Recife por exemplo é uma sede que tem sérias dificuldades com o Metrô e tem trânsito caótico e o estádio fica há quase 70km fora dos limites da cidade, em São Lourenço da Mata. Na Copa das Confederações os problemas já foram sentidos. Espanhóis e Uruguaios reclamaram demais das condições oferecidas para treinos e a dificuldade de locomoção com estradas de terra em um estado onde chove pelo menos uma vez no dia na época do Mundial.

Todos esses fatores formam um quebra cabeças difícil de elucidar. Abaixo colocarei as cidades que algumas das seleções estudam ficar.

  • Espanha: Visitou o CT do Caju em Curitiba, o CT de Cotia do São Paulo e Sete Lagoas em Minas Gerais
  • Alemanha: Visitou o CT do Corinthians e Sete Lagoas
  • Itália: Quase certo em Mangaratiba no RJ
  • Inglaterra: Quer o Rio de Janeiro. O problema reside na falta de boas condiçoes de treino.
  • Equador: Visitou Porto Alegre e Caxias.
  • Holanda: Em negociações com o Flamengo.
  • EUA: Quase certo no CT da Barra Funda.
  • Japão: Negocia com Itú.
  • Irã: Negocia com Goiânia. Mas pode acabar em SP, talvez Riberão Preto.
  • Bélgica: Certa com Mogi das Cruzes.
  • Bósnia: Visitou Porto Seguro.
  • Chile: Deve ficar no Sul. Visitou Curitiba, Londrina e o CT da Ulbra em Canoas.
  • Colômbia: Entre Atibaia e Águas de Lindóia.
  • Costa Rica: Visitou e gostou de Caxias.
  • Austrália: Visitou Santos, Vitória e Goiânia. Santos deve ter os Mexicanos.
  • Coréia do Sul: Prefere o interior de SP. Negocia com Campinas e Ribeirão Preto.
  • Rússia: Quase certa com Bento Gonçalves na Serra Gaúcha.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Entendendo o Sorteio de 2014

A Copa do Mundo de 2014 começa oficialmente nessa sexta feira na Costa do Sauípe com o sorteio das chaves que formarão os 8 grupos de quatro seleções cada.

O sorteio tem peculiaridades pré-estabelecidas e por isso ele será meio dirigido. Vou tentar explicar como funcionará. Segundo as regras times de um mesmo continente não podem estar na mesma chave, com exceção dos europeus com o máximo de 2 em cada grupo, isso porque são 13 europeus classificados. Nos outros continentes apenas 1 por chave. Depois de cada bolinha sorteada, sorteia-se a posição no grupo que ela ocupará. Usando o Brasil como exemplo: O time que sair de A2 joga na estréia da Copa com o Brasil, A3 o segundo jogo e A4 fecha a primeira fase.

As 32 seleções serão divididas em 4 potes para o sorteio. No Pote 1 ficam os cabeças de chave, que foram definidos com os 7 melhores do ranking de outubro, são eles: Argentina, Uruguai, Colômbia, Espanha, Alemanha, Bélgica e Suiça e mais o Brasil, que já se sabe ficará no grupo A abrindo a copa em São Paulo dia 12 de junho. Esse critério tornou o sorteio cheio de perigos, pois Itália, França, Inglaterra e Holanda estão entre os "mortais".


No segundo pote os europeus que restaram: Portugal, Itália, Inglaterra, França, Holanda, Croácia, Bósnia, Rússia e Grécia. Os 8 primeiros sorteados desse pote vão sendo postos em ordem de sorteio nos grupos sem surpresas. O primeiro no grupo do Brasil, segundo no B e por aí vai. O nono time será re-sorteado para um grupo onde não tenha dois europeus, ou seja, ele obrigatoriamente vai para o grupo de Brasil, Argentina, Uruguai ou Colômbia. A Fifa divulgou inclusive que deverá ser o primeiro sorteado de todos, mas eu duvido disso ainda, tiraria a graça da surpresa. Quem ficar com esse europeu não terá sorteados do terceiro pote.


O terceiro pote terá os 2 sulamericanos que sobraram: Chile e Equador e mais os 5 africanos: Costa do Marfim, Argélia, Camarões, Nigéria e Gana. De novo, será dirigido. Os sulamericanos vão para um grupo onde tenha europeus de cabeça de chave. e os africanos completam os grupos até termos 3 em cada.


Por fim o último pote tem os países do Caribe e América do Norte: EUA, Honduras, Costa Rica e México e os asiáticos Japão, Coréia do Sul, Austrália e Irã. Aí sem surpresas, o primeiro sorteado no grupo A, até o oitavo no H.


Olhando vê-se claramente a possibilidade de "Grupos da Morte" principalmente para Argentina, Uruguai e Brasil. que podem ter dois europeus em suas chaves. Poderemos ter um grupo com Brasil, Itália, Holanda e México por exemplo. Mas também poderia ser Brasil, Bósnia, Argélia e Irã. Convém ficar de olho no Grupo B que é o grupo que cruza com o nosso na segunda fase. 


Enfim, coisas que só as bolinhas nos dirão no dia 6 a partir de 1 da tarde. É esperar pra ver...

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Todos a bordo!

 

Passados quase 3 anos de eliminatórias e repescagens, finalmente se desenharam os 32 países que virão ao Brasil em 2014.

Acho que talvez seja a primeira Copa sem candidatos a saco de pancadas. Nenhuma grande surpresa na lista. Mesmo a estreante Bósnia-Herzegovina tem jogadores em times do primeiro escalão, como o centroavante Edin Dzeko que joga pelo Manchester City da Inglaterra.

Da América do Sul vêm Argentina, Uruguai, Colômbia, Chile e Equador. Destaque para o retorno da Colômbia fora desde 94 e para o fim da sequência do Paraguai, presente nas últimas 4 edições.

Da Concacaf os classificados foram Estados Unidos, México, Costa Rica e Honduras. Sem surpresas.

Da África virão Nigéria, Costa do Marfim, Camarões, Gana e Argélia, de volta após 3 copas ausente.

Na Ásia os classificados foram Japão, Coréia do Sul, Austrália e, a maior surpresa entre os 32, o Irã.

Pela Europa virão os campeões mundiais Espanha, França, Inglaterra, Alemanha e Itália; somam-se a eles Rússia, Bósnia, Suiça, Holanda, Grécia, Portugal, Croácia e Bélgica.

Ao que parece teremos a hipótese de grupos da morte, pois a Fifa parece inclinada a confirmar os cabeças de chaves pelo ranking Fifa e mais o Brasil por ser sede. Sendo assim os cabeças seriam a seleção brasileira, Espanha, Alemanha, Argentina, Colômbia, Bélgica, Uruguai e Suiça. Deixando assim de fora Inglaterra, Holanda, França, Portugal e Itália. E o como o sorteio é dirigido, por exemplo num mesmo grupo não podem ter mais de 2 europeus e apenas 1 de cada outra confederação, evitando que Brasil pegue Colômbia ou Chile por exemplo.

Em um próximo post publico com mais detalhes as regras do sorteio e suas possibilidades.

domingo, 9 de junho de 2013

Os Rumos da Seleção

 

Passados os amistosos e o fim do tabú sem vitória chega a hora da seleção encarar seu primeiro desafio real com Felipão que é a Copa das Confederações

Depois do fiasco de 2010, a seleção passou por uma reformulação necessária sob o comando de Mano Menezes que em dois anos lutou demais para achar uma formação e um esquema.  O Brasil por ser sede não disputou as eliminatórias e isso faz falta em um time em formação. A eliminatória daria ritmo de competição ao time, amistosos pouco servem nesse aspecto. Quando parecia encaixar o time em um 4-6-0 interessante, com dois volantes, Neymar e Hulk pelos lados e Kaká e Oscar na armação se revezavam como referência, Mano caiu. E veio Felipão.

Felipão tem bagagem e tem um título mundial no curriculum em situação idêntica. Pegou um time destruído, sem base nenhuma e fez um esquema que funcionou bem demais. Ele armou com dois zagueiros fixos de área (Roque Junior e Lúcio), um volante híbrido de zagueiro (Edmilson), dois laterais que só sabiam atacar (Cafú e Roberto Carlos), dois volantes que tinham poder de marcação e saída (Gilberto Silva e Kleberson), dois homens na armação (Ronaldinho e Rivaldo) e uma referência no ataque (Ronaldo). Com a bola era um 4-2-4, sem a bola um 5-3-2. Isso era necessário pois os laterais subiam e demoravam a voltar, mas funcionou bem demais.

O time que se desenha agora tende a ser estruturalmente assim, mais ou menos como o time do segundo tempo hoje. Como em 2002 temos dois laterais que jogam melhor na frente do que atrás. Daniel Alves e Marcelo são excelentes no ataque mas deixam espaços. No miolo de zaga dois zagueiros fixos. Thiago Silva é titular e capitão. A outra vaga fica entre David Luiz e Dante, por um motivo simples: David Luiz pode ser o híbrido de volante e zagueiro, vaga que tem como postulantes Fernando e Luiz Gustavo. Ralf também pode ser esse homem. E de todos parece o mais preparado.

No meio a estrutura deve ser com dois volantes que sabem sair para o jogo, como Hernanes e Paulinho. Ramires também disputa uma dessas duas vagas. Na armação mais dois. Neymar é intocável, a outra vaga fica entre Oscar, Hulk e Lucas. Mais a longo prazo Ronaldinho e Kaká também postulam a essa vaga na armação. Ronaldinho mais, Kaká menos.

No ataque a referência atual é Fred que parece absoluto nessa função. Na sua reserva é que está a indefinição. Damião, Pato, Jô e (porque não?!) Robinho. Dos quatro a melhor fase é de Jô, a pior é de Pato e Damião.

Se tivesse que apostar em um time titular para a Copa do Mundo, pensando com a cabeça do Felipão, apostaria em Julio Cesar; Daniel, Thiago Silva, Dante e Marcelo; David Luiz; Hernanes, Paulinho, Neymar e Oscar (Hulk); Fred.

Olhando friamente é muito bom time, equilibrado na defesa e com poder de punch no ataque. Resta esperar para ver. Mas dá para acreditar sim. A fase ruim trouxe desconfianças à torcida e um pessimismo exagerado até. A Alemanha passou pelo mesmo drama em 2006, antes da sua copa em casa e os meninos funcionaram bem demais sob o comando de um vibrante Klinsmman. Por isso acho que até 2014 tudo se encaixa.

Enfim Ela Veio!

 

Depois de 3 anos e meio sem vitórias sobre grandes seleções, dois técnicos, quase 90 jogadores testados enfim ela veio contra um dos nossos maiores algozes: A França. E foi uma senhora vitória! Um sonoro 3x0.

É bem verdade que ela poderia ter vindo antes. No amistoso contra a Itália tivemos 2x0 de vantagem e tomamos o empate no segundo tempo e contra a Inglaterra na reabertura do Maracanã domingo passado quando terminamos o primeiro tempo com 17 finalizações contra 2 dos ingleses.

No jogo de hoje enfrentamos uma França que jogou um primeiro tempo bem solta e envolvendo fácil a marcação brasileira principalmente pelo lado direito da defesa do Brasil. O meio-campo do Brasil tinha dificuldades na criação com Paulinho muito preso atrás e Neymar e Oscar muito escondidos do jogo. Do setor de ataque apenas Hulk jogava bem, o que, diga-se, não é novidade nenhuma. Mesmo assim conseguimos equilibrar o jogo e ainda tivemos algumas chances de gol. No fim um 0x0 justo.

Veio o segundo tempo e Felipão voltou com o mesmo time. Mas bem mais solto. Uma bola recuperada no meio campo (com falta) dá origem à jogada do primeiro gol. Passe para Fred que domina e acha Oscar na área livre, que com frieza absurda dominou e tocou mansa no canto de Lloris. Brasil 1x0.

Com o gol, Scolari decidiu mexer no time. Sacou Hulk e Oscar para as entradas de Fernando e Lucas. Naquele momento o Brasil tinha a cara do Brasil de 2002, com 3 volantes sendo um deles híbrido servindo como zagueiro sem a bola, dois homens abertos pelos lados e uma referência. O time melhorou e passou a exercer domínio maior.

Mais uma alteração veio entrando Hernanes e saindo Luiz Gustavo. Essa determinou o destino do jogo. Hernanes jogou demais. E foi dele o segundo gol nascido em um contra-ataque com cara de Brasil: Paulinho carregou da defesa até a intermediária, abriu para Lucas que cruzou para Neymar ajeitar com um toque para a finalização cruzada de Hernanes. 2x0. Enfim o tabú acabava.

Depois entraram Jô e Bernard nos lugares de Fred e Neymar respectivamente. Bernard teve uma chance clara no contra-ataque e perdeu gol feito. A última alteração mudou táticamente o time com Dante no lugar de Paulinho, passando David Luiz para volante. No último lance do jogo Marcelo arrancou pela esquerda, entrou na área e foi calçado pelo zagueiro. Penalti que Lucas cobrou com perfeição para decretar um sonoro 3x0 que lavou a alma da torcida.

domingo, 21 de outubro de 2012

O Preço de Um Sonho

 

Tenho 35 anos de vida e quem me conheceu por um dia nessa vida sabe que sou fanático por futebol. Gosto desde que me entendo por gente. Acompanho cada Copa jogo a jogo desde 1986, aos 9 anos de idade. Acho lindo a festa que só o futebol é capaz de promover a cada 4 anos. O mundo vive em função disso no mês que ela ocorre. Eu não seria diferente!

 

E desde que eu soube que teríamos uma copa no Brasil em 2014 sonho com ela. Mas sonhar por sonhar é muito vago. Sonho em percorrer o país atrás da copa nos 31 dias que ela vai acontecer. Indo a um jogo por dia, conhecendo todos os estádios, descobrindo culturas diferentes do Brasil e dos turistas que farão parte da festa.



Para tornar esse sonho realidade decidi fazer um estudo minucioso de gastos gerais com ingressos, passagens aéreas, hospedagens, alimentação e transportes variados em cada cidade. O resultado disso seriam 25 jogos in loco da abertura no Itaquerão até a grande final no Maracanã, passando pelas 12 sedes, vendo a seleção em todos os jogos considerando a tabela da primeira fase e o cruzamento como primeira do Grupo A, assistindo 21 das 32 seleções no mínimo, e descansando em casa nos dias sem jogos. A maratona apontou para quase 61 mil quilômetros percorridos e um valor total de R$ 17.000,00. Claro que isso considerando custo médio de ingressos a 150 reais cada, 80 reais de transporte diário (ônibus, metrô e táxi) e 40 reais de alimentação dia.

 

Claro que a primeira vista parece um valor absurdo para futebol, mas se considerarmos que uma Copa aqui acontece a cada 60 anos, acho que o valor nem é tão exorbitante assim. O que mais dificulta o processo é que a tabela da Fifa não prevê não leva muito em conta o critério geográfico e isso alarga as distâncias. Por exemplo no dia 13 tem jogos em Fortaleza, Manaus e Recife. No dia 14 os jogos serão em Porto Alegre, Rio e Brasília. A menor distância seria de quase 2400 km, quase 3 horas e meia de vôo. A entidade e o comitê organizador local tratam essa copa como as 3 últimas onde as seleções eram itinerantes, porém nos casos anteriores (Japão e Coréia, Alemanha e África do Sul) as distâncias eram curtas por serem países de dimensões territoriais infinitamente menores que as brasileiras, quase continentais.

 

Ainda assim foi possível traçar um roteiro bom de digerir com poucas discrepâncias geográficas. Claro que é só um sonho ainda, mas sonhar nunca foi proibido e tentarei torná-lo realidade. Quem quiser se juntar a mim nesse projeto maluco, será bem-vindo. Alguém aí topa? =o)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Vergonha Histórica

 

Ontem foi um dia para se esquecer na história da seleção brasileira. Não pela eliminação em si, porque o Paraguai é uma boa seleção, mas pela forma com que ela aconteceu.

Esqueçamos por breves momentos da disputa de pênaltis. Vamos olhar para a campanha nos 4 jogos realizados em solo argentino.

Na estréia um melancólico 0x0 contra a Venezuela. Um time que antes era sparring para goleadas agora ostenta um tabu contra nós, com 3 jogos sem perder. E não foi um empate cheio de alternativas, de boas chances paradas pelo goleiro venezuelano. Não. Foi um 0x0 típico mesmo.

No segundo jogo, outro empate. Agora contra o Paraguai. Fizemos 1x0 com Jadson, tomamos uma virada no segundo tempo e empatamos no fim com um gol esquisito de Fred.

O terceiro jogo foi contra o Equador. Um primeiro tempo triste com um gol para cada lado. Pato para o Brasil, Caicedo pelo Equador. Na volta uma luz. 45 minutos de bom futebol e mais 3 gols com Pato de novo e duas vezes Neymar. Caicedo ainda fez mais um selando o 4x2. Brasil em primeiro lugar. Aos trancos e barrancos, mas primeiro.

O jogo de ontem do ponto de vista de volume de jogo nem foi dos piores. O Brasil foi amplamente superior a um Paraguai acuado. Mas o Brasil de Mano não tem uma filosofia de jogo definida. Era um bando de búfalos alucinados contra índios acuados que não tentaram uma flechada sequer. O scout mostra quase 70 desarmes guaranis contra 22 brasileiros. O que dá uma idéia do que foi o jogo.

Mesmo assim alguns aspectos chamam negativamente a atenção como por exemplo no fim do segundo tempo do tempo normal e no fim de cada tempo da prorrogação. Nos três casos o Brasil tocava bola passivamente esperando o tempo passar. Elano, desde sua entrada, parecia ter incorporado o Zinho de 94, a “enceradeira”. Pegava a bola, girava o corpo e tocava atrás. E, convenhamos, com a superioridade tamanha, se permitir ir a prorrogação e depois aceitar a idéia de pênaltis é triste demais.

A eliminação na disputa por pênaltis nada representaria não fosse pela forma como foi. Em 4 quatros cobranças foram 3 para fora, sendo que em duas parecia tiro de meta com Elano e André Santos. Não me lembro em 34 anos de vida ter visto um time chutar 3 de 4 pênaltis fora. Uma eliminação vexatória.

Pior é constatar que era a única competição oficial até 2013, já que não teremos eliminatórias.

Não temos um time titular formado, não podemos reclamar de ter ido com reservas, porque fomos sem Kaká apenas e pelo momento de carreira ele não deveria estar mesmo e sem uma idéia concreta de plano de jogo. Mano faz alterações de seis por meia dúzia. E pareceu perdido na Argentina. O caso Jadson é assustador. Ele foi escalado contra o Paraguai na primeira fase, porque “contra o Paraguai nós precisavamos de um outro homem na armação junto com o Ganso”. Ele entrou, fez um gol, tomou um amarelo e pronto. Não voltou do intervalo, não entrou em mais nenhum jogo. Nem ontem contra o mesmo adversário, que supostamente exigia mais um homem na armação.

No fim ele sacou Ganso para por Lucas, ao invés de sacar um dos volantes que estavam ali de enfeite dado que o adversário não queria nada com o jogo.

Um atuação triste, um time sem padrão, um técnico sem convicções, um Brasil envergonhado.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Jogo Mais Eletrizante de 2011

 

Ontem foi dia de jogo isolado no Brasileiro 2011.

Corinthians e Internacional jogaram no Pacaembú um jogo antecipado da 11ª rodada. O Corinthians além de jogar em casa era o líder do campeonato. O colorado um desafiante em franca ascensão após um início titubeante sob o comando de Paulo Roberto Falcão.

Sobravam ingredientes para um jogaço. E assim foi. Um jogo de dois times que se doaram por 96 minutos de bola rolando. Rivalidade acirrada, árbitro conivente com jogadas mais ríspidas, dois times jogando verticalmente em busca da vitória.

No primeiro tempo os dois times partiram para o ataque mas com o Corinthians com mais posse de bola e boa movimentação do trio de ataque. O Inter cadenciava mais com os dois meias e a objetividade de Leandro Damião no ataque. Damião, foi o dono da jogada mais perigosa do primeiro tempo ao receber de Oscar, driblar Julio César e cruzar para Zé Roberto marcar, não fosse a intervenção salvadora de Fábio Santos.

De resto muita entrega no meio com atuações soberbas dos volantes. Ralf e Paulinho esbanjavam segurança na meia corinthiana, enquanto Guiñazu fazia o que ele mais sabe: esbanjava raça e dedicação. Os únicos a destoar eram os zagueiros Juan e Bolívar e o argentino D’ Alessandro.

Juan e Bolívar bateram o quanto quiseram com a conivência do árbitro. Bolívar chegou para rachar em Liedson no comecinho do jogo. Juan deu uma cotovelada em Sheik e uma falta desclassificante em Jorge Henrique. D´Alessandro é o tipo de jogador que não deveria jogar em clube nenhum. O argentino adora uma confusão. E não é de hoje. Além de querer apitar sempre o jogo. Um mala!

Em que pese o 0x0 ao intervalo, o jogo tinha sido brigado e com cara de decisão. O segundo tempo prometia mais emoções.

Na volta do intervalo os times decidiram jogar em busca do gol. O Corinthians partia alucinadamente ao ataque com Jorge Henrique e William, mas esbarrava numa atuação pouco inspirada de Liedson. Alex ao 3 quase inaugurou o placar numa falta venenosa que Muriel operou um milagre. O Inter respondeu com duas chances claras: uma de Bolatti e outra com Damião.

Tite tirou Liedson e pôs o ótimo Emerson Sheik em seu lugar. O jogo voltou para a mão do Corinthians mas o gol teimava em não sair. Num erro grosseiro de Nei, Sheik roubou uma bola e arrancou para o ataque ao lado de William pelo meio e Jorge Henrique pela esquerda contra dois marcadores vermelhos. A virada de jogo para Jorge Henrique, que devolveu para Emerson ir no fundo e cruzar rasteiro para o meio da área. William furou.

A partir daí o Pacaembú virou um caldeirão fervente. O Corinthians atrás da vitória e o Inter tentando amainar o ritmo, até que aos 31 veio o gol. Pela esquerda arrancada de Jorge Henrique, ele cruzou para o meio da área. Sheik fez o corta-luz e a bola sobrou para Paulinho, ele abriu para William que pegou de primeira, rasteiro, inapelável para Muriel. 1x0. E o que era bom ficou ainda melhor, quando o Inter teve que se lançar ao ataque desesperadamente.

E nos minutos restantes o que se viu foi um jogo com cara de final de campeonato, até o apito final do árbitro. Um jogaço! Que valeu cada centavo investido pelos 35 mil corinthianos que superlotaram o Pacaembú numa noite de quinta feira.

Com o resultado, o Corinthians abriu 6 pontos do vice-líder Flamengo. Chegou a 8 vitórias em 9 jogos, manteve a invencibilidade e acendeu de vez a esperança da Fiel Torcida no pentacampeonato. Se a fogueira das vaidades não se manifestar no Parque São Jorge, elenco tem de sobra para ser campeão. Basta que Tite consiga domar as feras insatisfeitas.

Ao Inter, o futuro parece radioso. Se a atuação de ontem não for fogo de palha, é candidatíssimo a entrar entre os 4 da Libertadores.

Falcão parece ter arrumado um jeito de jogar e agora é tentar manter o ritmo para subir mais na tabela.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Érika, o Golaço e as Americanas

 

Mais uma vez vamos falar de futebol feminino.

O Brasil passou pela frágil mas disposta seleção de Guiné Equatorial ontem por 3x0. O placar mostra que teria sido fácil, certo? Errado! O Brasil fez uma das suas piores partidas na história e transformou o que poderia ser uma goleada histórica num jogo xoxo e sem brilho. Até os 3 minutos.

Aos 3 do segundo tempo, bola lançada para Cristiane na lateral esquerda, ela arranca, passa pela marcadora e vai no fundo. Um cruzamento fechado no primeiro pau, o corte da zagueira africana e a bola sobrou no peito de Érika. Ela dominou com calma e categoria, na chegada da zagueira aplicou um chapelaço de direita e sem que a bola caísse, emendou um foguete de sem-pulo, de canhota, desenhando uma obra de arte digna dos maiores craques da bola.

Érika é uma das trabalhadoras desse time que faz o “serviço sujo” para que Marta, Rosana e Cristiane possam brilhar. As vezes volante, as vezes zagueira, as vezes meia. Érika se encaixa na definição de coringa que todo grande time precisa.

O golaço de ontem, não só foi lindo como foi o gol que abriu a porteira para os outros dois. E fez do Brasil primeiro colocado do seu grupo com 100% de aproveitamento, 7 gols a favor, nenhum sofrido. Cristiane, Marta e Rosana com dois gols cada dividem a artilharia do time.

Agora chegou a hora da onça beber água. Domingo o jogo é contra as americanas pelas quartas de final do torneio. Mais uma vez contra as americanas. Nos últimos 4 duelos decisivos, 2 vitórias para cada lado. As americanas ganharam a Olímpiada de 2004 e de 2008, ambas pela contagem mínima. As brasileiras levaram o Pan 2007 por 5x0 e nas semis do Mundial da China em 2009 por 4x0 com um show inesquecível de Marta.

Domingo mais um capítulo dessa rivalidade se escreve. Tomara que dê Brasil mais uma vez e finalmente essa conquista que cada dia tá mais madura, venha.

Abaixo o gol de Érika ontem na voz de Roby Porto e o de Marta na China na voz de Luciano do Valle.

 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Domingo de Marta

 

Diferentemente da grande maioria da população brasileira, eu gosto do futebol feminino. Acho que o jogo é mais aberto sem muitos esquemas táticos e isso dá mais jogo. Mesmo ainda sendo prosaico em certos aspectos do jogo como na falta de boas goleiras, onde só três êm potencial: a americana Hope Solo, a alemã Nadine Angerer e a brasileira Andréia. As demais são de baixo nível técnico e em geral de baixa estatura também.

Desde quando ela era só uma idéia do Luciano do Valle comandada pelo Zé Duarte. Aí veio a era profissional e as conquistas. Renê Simões com a prata em Atenas, Jorge Barcellos comandou o time no ouro do Pan de 2007, na prata olímpica de 2008 e no mundial da China. Agora o time está nas mãos de Kleiton Lima, multi campeão pelas Sereias da Vila e competentíssimo.

A seleção brasileira feminina me encanta, porque joga um futebol rápido, de toque de bola, muita habilidade. Destacam-se as laterais Maurine e Rosana, a meia Érika, a atacante Cristiane. E sobretudo porque tem Marta. Marta é o Pelé do futebol feminino. Sem exageros. Ela sobra na turma.

Conversando com um amigo, acho que ele tem uma definição que é a mais sensata. Disse ele: “Marta joga como um bom jogador do masculino, as outras jogam como mulheres.” Sem machismos, é a verdade.

Marta joga um futebol digno de um bom camisa 10. Tem força na arrancada, drible curto, visão de jogo, boa finalização, velocidade em linha reta e facilidade de mudar de direção. Os gols na vitória por 3x0 sobre a boa seleção da Noruega no Mundial da Alemanha, mostram um pouco disso tudo.

O primeiro numa arrancada de mano contra uma zagueira, duas pedaladas, um corte na segunda zagueira e um chute improvavel no canto que ela estava quando o mais fácil era bater cruzado. No segundo gol brasileiro, uma arrancada deixando 3 marcadoras para trás e a rolada consciente para Rosana aumentar. No terceiro, Cristiane rouba uma bola e bate em cima da goleira, a Rainha pegou a sobra, cortou para a direita e, de novo o improvável,  bateu de esquerda no contra-pé da goleira nórdica.

Um show de Marta! Mais um como tantos outros.

Já que a seleção de Mano tropeça e não encanta, cabe ao time de Kleiton Lima, capitaneado pela Rainha, fazê-lo.

Obrigado Marta!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Agora Quem Dá a Bola é o Santos

 

E finalmente o Santos conseguiu!

O tricampeonato da Libertadores conquistado no Pacaembú em cima do Peñarol faz justiça ao time que mais se preparou para ser campeão de tudo que havia por disputar.

Desde que assumiu o novo presidente, Luis Alvaro Oliveira Ribeiro, o Santos deu uma guinada em sua vida e enterrou de vez a sina de time caseiro pós Pelé.

Logo que assumiu conseguiu repatriar o último grande ídolo formado na Vila: Robinho. Ele chegou de helicóptero ao lado de Pelé e com show de Charlie Brown Jr. As ações de marketing passaram a dar o tom com as campanhas “Eu voltei” na volta do Rei das Pedaladas e o “Show Campeão” após o título paulista.

No time propriamente dito, algumas mudanças significativas puseram o time na rota das conquistas como a demissão do caro e dispendioso Luxemburgo, o afastamento de Fábio Costa, a contratação de um técnico novo com muito potencial como Dorival Júnior, a manutenção dos meninos quando todos diziam que era impossível. O retorno de jogadores identificados com o clube como Léo e Robinho em 2010 e Elano em 2011 foi outro fator preponderante para a mudança de rumo.

Em 2010 foram 2 títulos: Paulista e Copa do Brasil, por consequência vaga na Libertadores 2011. Veio o Brasileiro e o deslumbramento de Neymar quase pôs tudo a perder e culminou com a demissão de Dorival Junior.

A chegada de 2011 trouxe Elano de volta, mais um identificado com o clube, e jogadores bons como Jonathan, deram um bom upgrade a base que já existia. Porém o técnico contratado era Adilson Batista, que como de costume passou sem deixar saudades nenhuma, quase eliminando o Santos da Libertadores.

Foi quando chegou Muricy e com ele uma mudança crucial: o time temido no ataque passou a ser uma rocha na defesa, como habitualmente Muricy faz. Já no seu primeiro jogo uma pedreira: Cerro em Assunção. Derrota ou empate eliminariam o time antes da última rodada, vitória daria boas chances sem confirmar nada ainda. E o Santos fez 2x1 no Paraguai. No último jogo uma vitória previsível contra o fraco Deportivo Táchira da Venezuela no Pacaembú, deu a classificação quase impossível ao time da Vila.

Nesse interim a classificação para as fases eliminatórias do Paulista. E daí para frente foi só subir. No Paulista foi campeão derrubando Ponte Preta na Vila, São Paulo no Morumbi e Corinthians em 2 jogos.

Na Libertadores jogou a segunda fase contra o América do México. Vitória magra na Vila e empate nas mãos de Rafael Cabral em Querétaro. Once Caldas foi o adversário nas quartas. Vitória em Manizales, empate dramático no Pacaembú. Veio as semis e com ela o Cerro Porteño. Vitória por 1x0 em São Paulo e um 3x3 no Paraguai deram a passagem à final. Final da Libertadores sem Pelé, como em 2003. Mas a redenção foi adiada e 2011 deu um novo tiro ao Peixe. Assim como em 2003 quando fez uma revanche de 63 com o Boca, em 2011 a revanche foi de 62 contra o Peñarol.

No primeiro jogo em Montevidéu muito nervosismo de parte a parte e um 0x0 trouxeram a decisão para o Pacaembú.

Em São Paulo, primeiro tempo nervoso como no Uruguai e 0x0. Veio o segundo tempo e logo aos 3’ Neymar depois de uma jogada linda de Arouca e Ganso, abriu o placar com uma ajudinha de Sosa. O caldeirão fervia no Pacaembú e na pressão, Danilo, um dos melhores coadjuvantes desse time, tabelou com Elano, driblou o zagueiro pra dentro e fez um golaço. 2x0. Festa e título próximo. Mas nada pode ser tão simples. Stoyanoff que acabara de entrar centra para a área e Durval, um gigante, ao tentar cortar manda pra dentro do próprio gol ao 34’.

O Peñarol buscava o empate desesperadamente e desordenadamente e dava espaços para o contra-ataque santista que teve duas chances claras de ampliar, ambas com Zé Eduardo. Uma numa cabeçada sem goleiro e a outra após um rebate de um chute de Neymar na trave.

Nada que tirasse o brilho e evitasse a conquista santista. Uma conquista com méritos, a fórceps quase. Merecida para o Santos que renasce de vez. Merecida para Ganso e Neymar, os melhores em atividade no Brasil. Mas, sobretudo, merecida para Muricy. O técnico mais vitorioso dos últimos 6 anos no Brasil e que não tem a mídia que outros têm. Ele que fez o São Paulo tricampeão brasileiro, o Fluminense campeão brasileiro, o Santos campeão paulista e da América em 60 dias. Ele que carregava o estigma de Pé Frio em Libertadores.

Depois que ele saiu do São Paulo, nenhum título no Morumbi mais. O Fluminense que cambaleia esse ano é o mesmo que Muricy fez campeão brasileiro em 2010. O Santos frágil de Adílson que com ele virou uma rocha defensiva tomando pouquíssimos gols sem perder a essência atacante.

Parabéns ao torcedor santista, que lavou a alma. Parabéns ao Santos por ter construído esse caminho glorioso. Parabéns Muricy pela afirmação definitiva de técnico vencedor.

Que venha o Barcelona!

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A Maior Farsa de Todos os Tempos

 

Ontem morreu Rosenery Melo. Até aí nada demais para um blog de esportes, certo? Errado.

Rosenery, que passou a ser conhecida como a Fogueteira do Maracanã ao atirar um morteiro no campo de jogo, deflagrou uma das maiores crises do futebol mundial em 3 de setembro de 1989 no Maracanã.

Jogavam Brasil x Chile pelas eliminatórias da Copa da Itália. Os times precisando vencer para garantir vaga no Mundial.

A rivalidade entre as duas seleções era bem grande à época, em virtude do Chile em 1987, ter aplicado à seleção do Brasil uma das suas maiores humilhações na Copa América da Argentina, um sonoro 4x0 com autoridade. Dois gols de Basay e dois de Estay.

As eliminatórias de 90 eram disputadas em um único mês e com 3 times em cada grupo, já que a Argentina por ter sido campeã em 1986 entrou em 1990 direto. No grupo do Brasil, estavam Chile e Venezuela, que era a mais fraca dos três. A vaga ficaria entre Brasil x Chile. E os jogos se tornaram guerras.

Na ida em Santiago, Romário foi expulso logo no começo quando caiu na provocação do chileno Astengo, que mordeu o peito do Baixinho. Daí para frente o Nacional de Santiago virou uma panela de pressão. O 1x1 refletiu o que foi o jogo, em que pese a polêmica do empate chileno ao bater uma falta sem autorização.

O jogo do Maracanã determinaria o classificado para a Copa. E como previsto foi um jogo nervoso do início ao (patético) fim. O Brasil dominava o Chile amplamente mas esbarrava em uma atuação soberba do seu goleiro, Roberto Rojas. O primeiro tempo foi um massacre e Rojas segurou o 0x0. Veio o segundo tempo e mais Brasil em cima. Aos 4 minutos Bebeto lançou, Careca cortou a marcação e bateu rasteiro, Rojas ainda tocou nela e a bola entrou chorada na meta chilena. Brasil 1x0.

Aos 24 minutos veio a cena mais rídicula da história do futebol mundial: Rosenery que estava sentada na arquibancada atrás do gol de Rojas, lançou um sinalizador para o campo. Rojas viu ali a brecha para tentar classificar seu país na base da desonestidade. O goleiro caiu como se tivesse sido atingido pelo morteiro. A equipe técnica do Chile veio ao gramado e o médico deu uma lâmina ao goleiro que se cortou para dar veracidade à palhaçada. Os chilenos saíram de campo e não houve mais jogo.

Após investigações, a Fifa baniu do futebol Rojas, o técnico Orlando Aravena, o médico e um dirigente chileno. O zagueiro Astengo recebeu uma punição de 4 anos assim como o Chile que não só ficou fora de 90 como ainda foi proibido de disputar a eliminatória para 1994 e qualquer competição oficial por 4 anos.

Tudo isso por conta de um sinalizador, daqueles que guiam embarcações. Atirado por Rosenery Melo, a Fogueteira que ficou famosa, posou nua para a Playboy e teve seus 15 minutos de fama. Prestou mais serviço ao futebol do que muito jogador.

Aos 45 anos, Rosenery faleceu em decorrência de um aneurisma cerebral.

Bom descanso, Rosenery.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Acima De Qualquer Suspeita?

 

Depois de ler sobre o incidente com o zagueiro Leandro Castán do Corinthians na sua hora de folga em Jaú, quando ao brincar com uma espingarda de chumbinho perfurou o pulmão de um amigo acidentalmente, fiquei pensando: Por que jogador de futebol se acha acima de qualquer suspeita e que nada é proibido para ele?

O caso de ontem é só mais um na extensa lista de irresponsabilidades cometidas por jogador na hora da sua folga. Para enumerar alguns tem o caso do Adriano amarrando a namorada numa árvore, Vagner Love com traficantes armados em baile funk, acidentes automobilísticos por bebida como Edmundo por exemplo, o caso da recusa dos jogadores do Santos em 2010 em entrar nos Mensageiros da Luz para fazer caridade porque não estavam ganhando, Ronaldo e o travesti no motel, o (suposto) estupro envolvendo jogadores do Grêmio nos anos 80 numa excursão pela Europa e, o mais cruel, o caso Elisa Samúdio. São tantos que fica difícil falar de um por um.

A sensação que me dá é que jogador de time grande, em geral por vir de família paupérrima, não consegue lidar com o sucesso, dinheiro e fama que vêm em consequência dos seus passes, dribles e gols. E isso se dá, basicamente, pelo fato de jogador de futebol ser muito paparicado, seja por empresários, dirigentes e familiares. A vida de muitas mulheres fáceis, baladas mirabolantes, como no fatídico dia da festa que resultou na morte de Elisa Samúdio no sítio de Bruno que testemunhas relataram que tinham até anões no local, falsos amigos, traz uma sensação de liberdade e de poder que ele não experimentou na infância. Isso somado à má formação cultural, não por culpa deles mas pela situação do ensino público no país e dos clubes que não fornecem reposição escolar nas suas categorias de base, resulta numa mistura perigosa, por vezes explosiva.

E isso não é fenômeno recente, vem de décadas. Alguns casos que poderiam servir de exemplo hoje não são usados. Cito dois que são elucidativos: Paulo César Cajú foi craque nos anos 60 e 70, disputou copas do mundo, saiu do Botafogo foi jogar na França e teve o mundo a seus pés. Quando a carreira acabou, PC não soube aproveitar o que a vida tinha lhe dado e continuou a gastar e mergulhou no poço da cocaína. O craque que teve tudo chegou a morar de favor num subúrbio carioca. Hoje, Paulo César se recuperou e leva uma vida normal, mas bem longe da vida que poderia ter se tivesse tido juízo.

Reinaldo, artilheiro do Galo, nos anos 80 também recorreu à cocaína e teve que parar numa clínica de recuperação depois da humilhação de ter sua derrocada exposta em rede nacional. Reinaldo, o Rei como era chamado no Mineirão, era cracaço mas vivia assolado por lesões. Terminou a carreira mais cedo do que poderia e não soube lidar com a pressão. Hoje está limpo e recuperado.

O de ontem parece pouco perto dos dois citados, mas pode resultar em prisão do atleta. Em que pese ter sido brincadeira, ao que parece, ainda assim é irresponsabilidade. E justo no melhor momento da carreira do jogador que com a aposentadoria do capitão William se estabeleceu ao lado de Chicão na zaga do Corinthians.

O caso Castán é só mais um nessa mistura e, certamente, não será o último. Infelizmente!

terça-feira, 31 de maio de 2011

O Clássico Ibérico das Praias

 

Você que nos lê e é da Baixada Santista sabe que não existe só o Santos de time de futebol por aqui. AD Guarujá, São Vicente, Portuguesa e Jabaquara são os outros 4 representantes da região.

E se você tem mais de 30 anos e gosta de futebol, deve saber que Jabaquara e Portuguesa Santista já foram importantes no cenário futebolístico.

E ontem os times disputaram o glamouroso “Clássico das Praias” no Estádio Espanha na Caneleira, sede do Jabaquara

Jabaquara é um clube de Santos oriundo da colônia espanhola da região, nascido em 1914. Até por isso ainda mantém como cores o vermelho e amarelo da bandeira ibérica. Por muitos anos na década de 60, o Leão da Caneleira formou grandes jogadores e times capazes de rivalizar com o Santos de Pelé. Para quem duvida tem um 6x2 histórico na Vila com Pelé em campo e tudo mais, comandado pelo eterno Don Filpo Nuñez. Formou jogadores do quilate de Gilmar dos Santos Neves, goleiro campeão do mundo em 58 e 62 com a seleção brasileira.

Na Portuguesa a história é bem parecida. Nascida através dos imigrantes portugueses em 1917, conserva raízes nas suas cores vermelha e verde como as da bandeira lusitana. Portuguesa que detém um prêmio que poucos têm: A Fita Azul. Prêmio ofertado pela extinta Gazeta Esportiva que premiava o time mais tempo invicto em jogos no exterior. A Briosa, que já foi “Burrinha” um dia, ganhou em 1959 com 15 vitórias em 15 jogos. Revelou grandes jogadores assim como o Jabaquara, como Aílton Lira, meia habilidoso com passagens por Santos e São Paulo, Arouca que foi zagueiro do Palmeiras na época da Academia e Joel Camargo, zagueiro campeão do mundo em 70. Mais recentemente revelou Souza, hoje no Fluminense mas com passagem vitoriosa pelo São Paulo.

Hoje os times disputam a série B1 do futebol paulista, a quarta divisão do estado. Muito por culpa de dirigentes incompetentes com péssimas adminstrações. O que acarretou no afastamento dos clubes das suas origens. São apenas rabiscos do que já foram um dia.

Tivessem um pouquinho mais de organização e profissionalismo e estariam em divisões mais acima, contando com o apoio das suas colônias. Mas Jabaquara e Portuguesa, como 99,9% dos times pequenos, são barrigas de aluguel. Incubadoras de jogadores de empresários que não tem vínculo nenhum com as raízes e histórias dos clubes. E isso reflete esportiva e financeiramente. A Portuguesa tem uma piscina olímpica de 50 metros na sua sede social. Jogada às traças. E o cenário não parece lá muito azul para ambos, afundados em dívidas e a mercê de empresários.

Em tempo, o jogo foi 1x0 para o Jabaquara. Gol de Parazinho, aos 11’ do primeiro tempo.

O Tamanho de Messi

 

Passada a euforia pela vitória histórica do super Barcelona na final da Champions League com uma atuação soberba coletiva e uma inesquecível do argentino Lionel Messi, sobrou a polêmica levantada por ninguém menos que Just Fontaine, o maior artilheiro de uma edição de Copa do Mundo.

Fontaine afirma que por ter visto Pelé e Messi, pode afirmar que Messi é melhor que Pelé. Longe de mim querer entrar na polêmica, até porque Pelé tá em uma outra dimensão.

Na minha opinião, já dá para afirmar que Messi é melhor que Maradona, que foi o segundo de todos os tempos. Os céticos dirão que Maradona ganhou uma Copa sozinho. E é verdade. Mas se considerarmos o todo, incluindo o Barcelona, por onde Maradona passou sem deixar saudade, Messi já fez muito mais no futebol.

A classe de Messi hoje torna ele o maior de todos sem que haja a necessidade do prêmio da Fifa apontar isso no fim do ano. Messi sobra e vai transformando o Barcelona de Guardiola em lenda. Tenho 34 anos e posso afirmar com certeza que jamais vi um time jogar o que esse Barcelona joga. Sempre na casa de 70% da posse de bola, jogo vertical e produtivo. E muito disso é responsabilidade de Messi.

Eu sou fã de Messi desde que ele surgiu embaixo da sombra de Ronaldinho no mesmo Barcelona. A classe, velocidade e rapidez de raciocínio do argentino são espetaculares. Está a anos luz de qualquer outro jogador atual, inclua-se aí Cristiano Ronaldo, Kaká e Rooney.

A Universidade de Navarro na Espanha tem um estudo que rankeia os jogadores com mais espaço na mídia, qualquer que seja ela. Ninguém supera Lionel Messi. E o que mais chama atenção é que você jamais verá notícias dele em Colunas Sociais mostrando o carro, casa, namorada, relógios com preço de apartamento, noitadas e etc. Messi é notícia pelo seu futebol. E nada mais.

Voltando a comparação com Pelé resolvi recorrer a números. Pelé deu 5 Brasileiros, 2 Libertadores e 2 Mundiais ao Santos, só pra citar os títulos importantes. Messi deu 5 Espanhóis, 3 Champions League e vai para o seu segundo mundial. Ambos foram indiscutíveis em suas épocas. Porém Pelé tem 3 copas no curriculum contra nenhuma de Messi. Tem 1289 gols contra 235 de Messi. Pelé parou uma guerra. Pelé quando expulso foi chamado de volta ao campo e expulsaram o árbitro. Aí a diferença se estabelece. Mas aos 24 anos e com mais 10 (pelo menos) de carreira o argentino pode fazer muito mais do que já fez.

Contra Maradona a comparação beira o ridículo. Maradona tem apenas 3 títulos na Europa (2 Italianos e 1 Copa da Uefa). E passagens desastrosas em clubes menores como Sevilla por exemplo. Maradona não é mais páreo.

Ao Barcelona que continue nos encantando e escrevendo a estória. Que Messi continue a desfilar sua classe por muitos anos. O futebol agradece.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O Bem Sempre Vence

 

Como é fácil notar pela descrição da minha bio à esquerda, sou corinthiano. E como tal venho sendo cobrado a escrever sobre o jogo de domingo. Confesso que esperei a decepção passar para poder falar com isenção, em que pese não ser jornalista de fato e o blog não ter uma linha editorial definida, tento não ser ufanista.

Por que escolhi esse título no post? Porque hoje o Santos representa o Bem no futebol brasileiro. É o time da moda, o time que todos querem ver jogar pela geração talentosa que tem e sua vocação ofensiva.

Não sou daqueles que acham que o Santos tem uma categoria de base forte, que produz atletas aos borbotões. Acho sim que o fenômeno se dá mais por sorte do que por trabalho. A geração 2002 não foi lançada no time porque viram ali o maná dos problemas. Veio porque o Santos estava sem dinheiro e era o que tinha. E ali tinham Diego, Robinho e Elano. Pegue os outros e quase nenhum mais vingou em qualquer time.

A classe de 2009, está nessa situação. Tem Neymar, Ganso e André (que foi para Ucrânia no meio de 2010). Mas é um time que soube mesclar experiência de caras como Durval, Edu Dracena, Léo com o talento de Neymar, Ganso, Rafael Cabral e Arouca. Some-se a isso o técnico mais vitorioso no país nos últimos 6 anos e a combinação é explosiva.

O Santos é um time montado e pensado. Desde a passagem de Dorival Júnior em 2010. Muricy pegou uma base sólida e pronta. Foi só imputar seu estilo de jogo, mais reforçado na defesa, laterais que só sobem na boa e deixar com a genialidade dos meninos na frente. O saldo é que além de um título paulista, teve uma classificação inesperada na Libertadores e 1 gol sofrido em 7 jogos. Na final jogou como deve ser: fechadinho no Pacaembu e dominante em casa. Legítimo campeão portanto!

Já pelos lados do Parque São Jorge, o título seria uma mentira a mascarar a bagunça que foi 2011 desde o início. Elenco mal formado (falta um goleiro de verdade, lateral direito, meia de ligação principalmente), técnico contestado, jogadores em fim de carreira e descompromissados (Ronaldo gordo em fim de carreira e Roberto Carlos sem vínculo nenhum com o clube, quando a crise estourou ele fugiu), folha de pagamento super inflacionada e outros. A eliminação para o Tolima não foi o causador de tudo. Foi consequência de tudo. E por tudo isso, o título ir para o Parque São Jorge seria premiar a desorganização.

Tite não é treinador para um time de massa. Ele é teórico e verborrágico demais para um clube onde a paixão pulsa a olhos vistos. Ele seria bom técnico em clubes de torcida com maior poder aquisitivo como Fluminense e São Paulo, por exemplo. Para clubes como Flamengo, Corinthians, Atlético Mineiro é preciso um pouco mais e isso ele não tem. Mesmo nas funções de campo ele não vai bem. No jogo de domingo ele fez 3 alterações, todas elas de peça por peça: atacante por atacante, volante por volante e meia por meia. Ele jamais desistiu de um esquema no meio do caminho. Para fazer alterações de seis por meia dúzia não é necessário que seja ele, poderia ser um técnico mais barato, certo?

O Brasileiro vem aí e tudo pode mudar nos dois lados. Jogadores que chegam, outros que saem, pressão de torcida no Corinthians, o peso da Libertadores para o Santos… São muita possibilidades. Mas hoje sem dúvida o Santos está melhor em tudo.

E, convenhamos, o título ficou melhor nas mãos do Santos e Muricy mesmo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Os Pavões e as Formigas

 

Ontem foi dia de Copa do Brasil. Dois jogos movimentaram a rodada.

Em Curitiba, o Coxa enfiou 6x0 no Palmeiras. No Engenhão o Ceará, carinhosamente apelidado por sua torcida de “Carroça Desembestada” parou o Bonde do Mengão Sem Freio. 2x1 com autoridade.

E o porque do título do post? Porque há semelhanças entre os resultados, excluindo-se o placar, claro. Os dois perdedores da noite tem técnicos vaidosos ao extremo e badalados. Custam uma fábula aos cofres dos seus empregadores e não geram o resultado exigido em cima da expectativa criada.

Hoje, Wanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari, os Pavões, não compensam o custo benefício. Já não têm mais conquistas que os habilitem à condição de top de linha. Porém ambos têm grife. Fosse Estevam Soares e o 6x0 de ontem traria na bagagem de mão um  homem a menos no vôo de volta. O que se viu ontem no Couto Pereira foi um baile, um nó tático e técnico, um jogo para o torcedor verde esquecer.

Ultimamente Felipão aparece mais pela sua excessiva choradeira fora de campo do que pelos resultados conquistados dentro dele. Me arrisco a dizer que o seu último grande trabalho foi em Portugal onde levou o time ao 4º lugar da copa 2006.

No Engenhão não foi diferente. O Ceará fez um jogo taticamente perfeito. É um time rodado, com jogadores experientes e bons. Fernando Henrique no gol, Vicente pela esquerda, Geraldo no meio e Iarley no ataque formam uma boa espinha dorsal no ‘Vozão’ de Fortaleza. E o 2x1 saiu barato para o Flamengo. Geraldo perdeu um gol sem goleiro a 10 minutos do fim contra um Flamengo no vai da valsa.

Wanderlei Luxemburgo desde 2005 não emplaca um título que não seja estadual. O último foi o Brasileiro de 2004 pelo Santos. De lá pra cá, foram apenas estaduais e participações medianas em outros torneios. Ano passado quase rebaixou o Galo no Brasileiro. E mesmo assim a imprensa o ama. Ontem ele tirou Deivid e colocou Vanderlei no segundo tempo. No primeiro toque de Vanderlei na bola, gol do Flamengo. O locutor Luiz Carlos Junior disse na hora: “Brilha a estrela de Wanderlei!”, no que foi prontamente corrigido por Paulo César Vasconcellos: “Do Vanderlei jogador, Luiz”.

Já as Formigas são Vagner Mancini e Marcelo Oliveiro, técnicos de Ceará e Coritiba respectivamente. Trabalham em silêncio em troca de pouco dinheiro e produzem o mesmo que os Pavões, as vezes até mais.

Mancini já rodou muitos clubes e seus trabalhos costumam aparecer mais em equipes de menor porte, como agora no Ceará e no Paulista de Jundiaí onde ganhou a Copa do Brasil em cima do Fluminense. Depois rodou por Santos, Vasco e outros sem sucesso. Seu Ceará é trabalhador e inteligente. Geraldo e Iarley dão o tom da experiência e tem em Nicácio um bom goleador. A vitória de ontem não deixou margens quanto ao mérito. Atuação segura e convincente.

Marcelo Oliveira herdou um Coxa vencedor de Ney Franco e soube dar continuidade ao trabalho do ótimo antecessor. A sequência de 26 vitórias é coisa que impressiona. Se pairava alguma dúvida pelo nível dos adversários, ela cessou ontem nos assustadores 6x0 no Palmeiras no Alto da Glória. Claro que é cedo, mas hoje o Coxa joga o melhor futebol do Brasil ao lado do Cruzeiro.

Oxalá o futebol perceba que as formiguinhas, como Mancini, Dorival Junior, Ricardo Gomes, Caio Júnior, Renato Gaúcho, Mano Menezes compensam mais. Eles são menos mal humorados, menos vaidosos e entendem seu lugar sem querer aparecer demais.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Noite dos Pesadelos

 

Ontem o futebol brasileiro teve, talvez a noite mais vergonhosa de sua estória na Libertadores da América. Foram 4 eliminações em 4 confrontos. E só não foram 5 porque o anjo Rafael Cabral salvou o Santos em Querétaro no México na terça-feira.

Bem verdade que desses eliminados, um já se previa: o Grêmio. Tão mal que jogou em Porto Alegre contra a Católica, saiu com derrota em casa. O jogo no Chile era (quase) pró-forma.

Agora, os outros três quebraram todos os bolões possíveis.

A maior decepção da noite foi o todo-poderoso Cruzeiro. Time de melhor campanha na primeira fase, dono de um ataque arrasador e de um futebol vistoso, era fava contada na esmagadora opinião da maioria, inclua-se o blogueiro. Mas Cuca parece ter um bloqueio em decisões. Assim foi no Botafogo por 3 anos e ontem mais uma vez, culminando com uma cotovelada ridícula em cima de Rentería.

Não acho Cuca um mau técnico, mas lhe falta tranquilidade. E sempre a culpa recai na arbitragem. Com todo respeito, anularam mal o gol do Gilberto, mas nada justifica tomar 2 gols do mediano Once Caldas e não fazer nenhum. O Cruzeiro do segundo tempo foi um dejavu do Botafogo. E assim, toda uma campanha espetacular foi ralo abaixo. Agora é juntar os cacos e enfrentar o Galo na final do Mineiro em dois jogos.

O Fluminense provou ontem ser mesmo o time do impossível. Depois de um 3x1 no Engenhão e 0x0 no primeiro tempo em Assunção, o Flu conseguiu tomar 3 gols do Libertad, que não é mal time não, e caiu depois de ter conseguido uma classificação heróica na Argentina.

O tricolor pagou o preço de não ter técnico. Em que pese estar apalavrado com Abel Braga para o meio do ano, Enderson Moreira não tinha estofo para segurar o rojão. O jogo contra o Argentinos foi ganho na fibra demonstrada em campo.

Agora é decidir o que fazer até o Brasileiro. Pode vir uma reformulação aí, afinal é um elenco caro e a eliminação precoce mexe nas provisões financeiras do Flu.

Já o Internacional, já sob o comando de Falcão, caiu no Beira-Rio contra o Peñarol do Uruguai.

Eu que gosto de futebol sempre me acostumei com aquela tese de que jogar contra uruguaios era difícil demais. Eles não desistem nunca, batem muito e tem técnica. Jogos contra Peñarol e Nacional sempre foram pedreira nos anos 80 principalmente. Depois o o futebol uruguaio entrou em decadência e eles nunca mais fizeram boas campanhas na Libertadores. Porém a boa Copa do Mundo na África do Sul parece ter despertado o futebol uruguaio.

A atuação do Peñarol ontem foi de encher os olhos. Não pela virtuosidade da bola, mas sim pela entrega. O Inter abriu o placar cedinho no jogo e achou que a parada estava resolvida. Na volta do intervalo, em 5 minutos os uruguaios conseguiram a virada. Dali pra frente foi um Internacional desesperado e desassossegado (a discussão do Sóbis com o D’Alessandro foi sintomática) em busca da virada e um Peñarol trancadinho lá atrás. E assim Falcão amargou a sua primeira derrota no Colorado e não esquecerá dela tão cedo.

Nunca o futebol brasileiro foi tão mal como na noite de ontem. Porém tudo pode ter um lado bom: O Brsaileiro não vai ter times dividindo atenções com outra competição e podemos ter um nível excelente logo no começo do campeonato.

A hora agora é de reconstruir. E rápido.